Saturday, March 19, 2005

Febre

febre

sopra um vento pelo peito do mareante - vento
cinzento capaz de apagar os gestos que restam e
de limpar os passos incertos pelas ruas do cais

vento
um vento que te sacode as veias os tendões
faz vibrar os músculos e a mastreação - como a árvore
que se desprende das entranhas do mar

corre
corre um vento pelas fissuras da pele - vento
de pó enferrujado abrindo feridas nos animais vivos
colados à memória onde
uma serpente mergulhou no sangue e
desata a fulgurar

sopra um vento pelo peito do mareante
desperta a florescência do plâncton - varre
a noite e lava as mãos dos condenados à morte

corre um vento
vento de febre - sismo de orquídeas que acalma
quando acendes a luz e abres as asas
vibras e
levantas voo


Um poema de Al Berto que dedico ao meu estado febril desta última semana...

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